Pelo Natal há um cd que me acompanha todos os anos, invariavelmente.
Não o ouço em mais altura nenhuma. Talvez seja tão especial por isso.
E ao som de "Amazing Grace", "Ao Sul", "Perdidamente" faço a minha caminhada nostálgica.
Por vezes melancólica, por vezes feliz.
(Um segredo, ssshhhhhh... Vão para a vossa divisão preferida da casa; na penumbra; de olhos fechados ou debruçados na janela a apreciar a calma da noite e ouçam... Amazing Grace
Beijinhos. Fiquem bem... e boa noite.)
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
domingo, 8 de dezembro de 2013
Selfie
Actualizado em 11/02/2018.
Porque mudamos, ainda que não percamos a essência do que somos.
Não tenho o dom da palavra, mas valorizo cada palavra.
Não me despeço com beijos ou beijinhos só porque sim, mas porque realmente beijo.
Sou tímida, insegura, envergonhada e o meus outros eus vou-os mostrando quando me sinto confiante.
Sou marota, brincalhona, palhaça, macaquita.
Entorno copos.
Perita em "bocas" cáusticas saídas do nada.
Demasiado responsável.
Não anseio grandes bens materiais porque não me fazem feliz.
Não sou apologista de amor e uma cabana, mas os alicerces de uma casa são os afectos. O pai tem que gostar da mãe e mostrá-lo aos filhos... Amor não é só apalavrado, é gesto, atitude, carinho espontâneo.
Fico sem acção perante um elogio, dificuldade que tenho vindo a aprender a contornar.
Ainda coro.
Tenho cócegas.
Sou distraída.
O mar traz-me paz e contemplação.
Gosto da liberdade das ondas, mas tenho medo delas.
Adoro vento, água, lagos, rios, espaços abertos, folhas.
Abomino a mentira.
Bacalhau com natas é um dos meus pratos favoritos, assim como as batatas de qualquer assado.
Uma das minhas palavras favoritas é sabedoria.
Brincava aos pais e filhos, mas nunca tive o desejo de ser mãe. Coisas que tu antecipas mesmo não o sabendo.
Gosto de flores campestres, campos floridos, florestas, mas tenho medo de bichos.
Não me despeço com beijos ou beijinhos só porque sim, mas porque realmente beijo.
Sou tímida, insegura, envergonhada e o meus outros eus vou-os mostrando quando me sinto confiante.
Sou marota, brincalhona, palhaça, macaquita.
Entorno copos.
Perita em "bocas" cáusticas saídas do nada.
Demasiado responsável.
Não anseio grandes bens materiais porque não me fazem feliz.
Não sou apologista de amor e uma cabana, mas os alicerces de uma casa são os afectos. O pai tem que gostar da mãe e mostrá-lo aos filhos... Amor não é só apalavrado, é gesto, atitude, carinho espontâneo.
Fico sem acção perante um elogio, dificuldade que tenho vindo a aprender a contornar.
Ainda coro.
Tenho cócegas.
Sou distraída.
O mar traz-me paz e contemplação.
Gosto da liberdade das ondas, mas tenho medo delas.
Adoro vento, água, lagos, rios, espaços abertos, folhas.
Abomino a mentira.
Bacalhau com natas é um dos meus pratos favoritos, assim como as batatas de qualquer assado.
Uma das minhas palavras favoritas é sabedoria.
Brincava aos pais e filhos, mas nunca tive o desejo de ser mãe. Coisas que tu antecipas mesmo não o sabendo.
Gosto de flores campestres, campos floridos, florestas, mas tenho medo de bichos.
Ainda que possa ter medo, adoro animais.
Detesto filmes de terror, vejo-os entre os dedos e mal.
Estou cada vez mais medrosa.
Detesto filmes de terror, vejo-os entre os dedos e mal.
Estou cada vez mais medrosa.
Morte (minha e dos meus) é um assunto que me aterroriza.
Sou friorenta.
Gosto muito de cães.
A bondade no rosto é uma das coisas que mais aprecio ver nas pessoas.
Gosto de balancés.... de andar descalça... de sussurrar... de entrelaçar pernas....
Gosto muito de cães.
A bondade no rosto é uma das coisas que mais aprecio ver nas pessoas.
Gosto de balancés.... de andar descalça... de sussurrar... de entrelaçar pernas....
Gosto do aconchego do peito de um homem... que me façam festas no cabelo.
Uma das minhas maiores qualidades é saber colocar-me no lugar dos outros, o que me faz ser excessivamente tolerante.
Dou regularmente o benefício da dúvida. Não me livro das críticas inerentes a tal, o ser apelidada de "politicamente correcta".
Continuo a acreditar nas pessoas até prova em contrário, apesar de algumas desilusões/lições bem dolorosas.
Detesto sofrer... envelhecer.
Tenho amigos de todas as idades... fico enternecida quando me procuram para os confortar.
Dualidade coração/razão é comigo. Até à exaustão...
Dança, cinema, teatro estão-me no ADN.
Amo tertúlias.
Gosto de surpreender com miminhos e carinhos.
Com a idade fui-me tornando desorganizada.
Os desafios dão-me medo, mas também vontade férrea de os ultrapassar.
Sou desconfiada.
Romântica envergonhada (...íssima)
Adoro viajar.
Daria uma excelente carpideira profissional.
Uma das minhas maiores qualidades é saber colocar-me no lugar dos outros, o que me faz ser excessivamente tolerante.
Dou regularmente o benefício da dúvida. Não me livro das críticas inerentes a tal, o ser apelidada de "politicamente correcta".
Continuo a acreditar nas pessoas até prova em contrário, apesar de algumas desilusões/lições bem dolorosas.
Detesto sofrer... envelhecer.
Tenho amigos de todas as idades... fico enternecida quando me procuram para os confortar.
Dualidade coração/razão é comigo. Até à exaustão...
Dança, cinema, teatro estão-me no ADN.
Amo tertúlias.
Gosto de surpreender com miminhos e carinhos.
Com a idade fui-me tornando desorganizada.
Os desafios dão-me medo, mas também vontade férrea de os ultrapassar.
Sou desconfiada.
Romântica envergonhada (...íssima)
Adoro viajar.
Daria uma excelente carpideira profissional.
Os meus lutos de amor duram mais que o próprio sentimento a dois (?). O que é uma perda dupla exasperante: o amor e o tempo perdido nesse desgosto.
Tenho um bom radar para descobrir amigos.
Admiro as pessoas que fazem parte da minha vida, mesmo algumas presentes só virtualmente.
Sou dedicada.
Confiança é fundamental para mim.
Quero acreditar que só tenho pitadas de ciúmes, perfeitamente controláveis.
Encanto-me perante uma boa escrita e excelente sentido de humor.
Emociono-me com trailers de cinema.
Dançar é um prazer desmedido.
Lido mal com as minhas falhas.
Tenho uns pés lindos.
Sou perfeccionista.
Detesto arranjinhos.
Sinto-me gata enjaulada quando me sinto pressionada para fazer algo que não quero.
Não acredito em amor, mas sim em atração à 1ª vista. Reparo nos olhos, voz e mãos... e rabo.
Mas é o que falam e como falam que me desperta a atenção redobrada.
Acho piada em conhecer virtualmente homónimas. Tenho duas no meu facebook e gosto muito delas.
Uma grande parte das minhas amigas mais próximas são aquarianas. Acho a coincidência engraçada.
Tenho um bom radar para descobrir amigos.
Admiro as pessoas que fazem parte da minha vida, mesmo algumas presentes só virtualmente.
Sou dedicada.
Confiança é fundamental para mim.
Quero acreditar que só tenho pitadas de ciúmes, perfeitamente controláveis.
Encanto-me perante uma boa escrita e excelente sentido de humor.
Emociono-me com trailers de cinema.
Dançar é um prazer desmedido.
Lido mal com as minhas falhas.
Tenho uns pés lindos.
Sou perfeccionista.
Detesto arranjinhos.
Sinto-me gata enjaulada quando me sinto pressionada para fazer algo que não quero.
Não acredito em amor, mas sim em atração à 1ª vista. Reparo nos olhos, voz e mãos... e rabo.
Mas é o que falam e como falam que me desperta a atenção redobrada.
Acho piada em conhecer virtualmente homónimas. Tenho duas no meu facebook e gosto muito delas.
Uma grande parte das minhas amigas mais próximas são aquarianas. Acho a coincidência engraçada.
Sou aquariana, ascendente em balança e vénus em carneiro. Não faço a mínima ideia em que é que isto influencia o meu ser.
Detesto insolência, arrogância e pedantismo.
Sou discreta.
Sonho com viagens aos Açores, fiordes, Américas, Canadá e Nova Zelândia.
Adoraria ter sido actriz.
Ganhasse o euromilhões e investia na criação de um cineclube e centro de artes.
Acho extremamente sedutor um homem que gingue bem e que escreva bem.
Alegro-me com a felicidade dos outros, principalmente a dos amigos.
Entristeço-me com as tristezas dos outros, principalmente a dos amigos.
Eu e as decisões temos uma relação de amor/medo.
Adoro fotografia e fotografar.
Adoro comprar livros mesmo sabendo que não os vou ler imediatamente. Sou compradora compulsiva e o meu bolso ressente-se muito.
Não aprecio prendas impessoais. Gosto de as oferecer pensadas e sentidas e ver/imaginar a reação quando as abrem. E gosto de as receber pensadas e sentidas.
Gosto de tocar, de abraçar , estrafegar, ainda que não o faça regularmente.
Adoro andar às cavalitas.
Sou lamechas.
Detesto insolência, arrogância e pedantismo.
Sou discreta.
Sonho com viagens aos Açores, fiordes, Américas, Canadá e Nova Zelândia.
Adoraria ter sido actriz.
Ganhasse o euromilhões e investia na criação de um cineclube e centro de artes.
Acho extremamente sedutor um homem que gingue bem e que escreva bem.
Alegro-me com a felicidade dos outros, principalmente a dos amigos.
Entristeço-me com as tristezas dos outros, principalmente a dos amigos.
Eu e as decisões temos uma relação de amor/medo.
Adoro fotografia e fotografar.
Adoro comprar livros mesmo sabendo que não os vou ler imediatamente. Sou compradora compulsiva e o meu bolso ressente-se muito.
Não aprecio prendas impessoais. Gosto de as oferecer pensadas e sentidas e ver/imaginar a reação quando as abrem. E gosto de as receber pensadas e sentidas.
Gosto de tocar, de abraçar , estrafegar, ainda que não o faça regularmente.
Adoro andar às cavalitas.
Sou lamechas.
Não é-me uma palavra difícil de dizer e "fazer".
Melindro facilmente.
Sou reactiva.
Melindro facilmente.
Sou reactiva.
E sou, e sou e sou...
domingo, 17 de novembro de 2013
Utopias
Há propriedades intelectuais e emocionais de que me gostaria de apoderar.
Há coisas tão belas, mas tão belas que a par do deslumbramento da sua descoberta não consigo evitar uma ponta de inveja por não terem nascido de mim.
Num mundo utópico em que a prática do Mal seria clemente, eu entregar-me-ia ao crime para acalmar esta fúria mansa da adoração.
Seria encarcerada, e quando me perguntassem "Que crime cometeste?" eu responderia quase orgulhosamente "Sou ladra do Belo".
Primeiro a tua mão
Primeiro a tua mão sobre o meu seio.
Depois o pé – o meu – sobre o teu pé.
Logo o roçar urgente do joelho
e o ventre mais à frente na maré.
É a onda do ombro que se instala
É a linha do dorso que se inscreve.
A mão agora impõe, já não embala
mas o beijo é carícia, de tão leve.
O corpo roda: quer mais pele, mais quente.
A boca exige: quer mais sal, mais morno.
Já não há gesto que se não invente,
ímpeto que não ache um abandono.
Então já a maré subiu de vez.
É todo o mar que inunda a nossa cama.
Afogados de amor e de nudez
Somos a maré alta de quem ama.
Por fim o sono calmo, que não é
senão ternura, intimidade, enleio:
o meu pé descansando no teu pé,
a tua mão dormindo no meu seio.
Poemas de Rosa Lobato Faria
*****
Há coisas tão belas, mas tão belas que a par do deslumbramento da sua descoberta não consigo evitar uma ponta de inveja por não terem nascido de mim.
Num mundo utópico em que a prática do Mal seria clemente, eu entregar-me-ia ao crime para acalmar esta fúria mansa da adoração.
Seria encarcerada, e quando me perguntassem "Que crime cometeste?" eu responderia quase orgulhosamente "Sou ladra do Belo".
Ternura
desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te , lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te , lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão Ferreira
Quem me quiser
Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
As pequenas palavras
De todas as palavras escolhi água,
porque lágrima, chuva, porque mar
porque saliva, bátega, nascente
porque rio, porque sede, porque fonte.
De todas as palavras escolhi dar.
De todas as palavras escolhi flor
porque terra, papoila, cor, semente
porque rosa, recado, porque pele
porque pétala, pólen, porque vento.
De todas as palavras escolhi mel.
De todas as palavras escolhi voz
porque cantiga, riso, porque amor
porque partilha, boca, porque nós
porque segredo, água, mel e flor.
E porque poesia e porque adeus
de todas as palavras escolhi dor.
De todas as palavras escolhi água,
porque lágrima, chuva, porque mar
porque saliva, bátega, nascente
porque rio, porque sede, porque fonte.
De todas as palavras escolhi dar.
De todas as palavras escolhi flor
porque terra, papoila, cor, semente
porque rosa, recado, porque pele
porque pétala, pólen, porque vento.
De todas as palavras escolhi mel.
De todas as palavras escolhi voz
porque cantiga, riso, porque amor
porque partilha, boca, porque nós
porque segredo, água, mel e flor.
E porque poesia e porque adeus
de todas as palavras escolhi dor.
Primeiro a tua mão
Primeiro a tua mão sobre o meu seio.
Depois o pé – o meu – sobre o teu pé.
Logo o roçar urgente do joelho
e o ventre mais à frente na maré.
É a onda do ombro que se instala
É a linha do dorso que se inscreve.
A mão agora impõe, já não embala
mas o beijo é carícia, de tão leve.
O corpo roda: quer mais pele, mais quente.
A boca exige: quer mais sal, mais morno.
Já não há gesto que se não invente,
ímpeto que não ache um abandono.
Então já a maré subiu de vez.
É todo o mar que inunda a nossa cama.
Afogados de amor e de nudez
Somos a maré alta de quem ama.
Por fim o sono calmo, que não é
senão ternura, intimidade, enleio:
o meu pé descansando no teu pé,
a tua mão dormindo no meu seio.
Poemas de Rosa Lobato Faria
*****
(dediquem um pouco do vosso tempo a este poema cantado. Não se arrependerão.)
Bandas sonoras
A música é o meio de transporte mais eficiente que há. Também o mais confortável. Os apeios são só os da imaginação. Ao destino final chegamos embalados em melodias e letras e nunca se encontrará maneira mais agradável, rápida e tão pouca dispendiosa de chegar aonde queremos.
Aquele escape à realidade ou então... a sua banda sonora. Quando descubro uma música que foi escrita de propósito para mim - evidentemente - vibro e agradeço aos céus a viagem.
É também um afago nos momentos mais solitários, mais solavancados.
Cadência precisa-se.
Algumas vezes me perguntaram qual o meu estilo de música preferido. Não sabia responder.
Hoje sei: não tenho. Eu respondo às músicas. Gosto ou não. Dizem-me alguma coisa ou não. Podem-me dizer tudo hoje e amanhã já nada me acrescentarem. Podem-me nada acrescentar hoje e amanhã tudo me dizerem. A cada estado de espírito ou físico, o meu ser escolhe a banda sonora para o momento.
E eis chegada a parte em que os meus aventureiros levam com a expectável lista de músicas escolhidas. Acrescento-lhe uma pitadinha cinematográfica porque todos os meus poros respiram cinema. Vejo-me como um filme cujas músicas ajudam a adensar a trama e, igualmente, a desvendá-la.
♪ Para os meus momentos de romantismo exacerbado em que quero acreditar que toda a ficção tem um motor real (para minha perdição).
Aquele escape à realidade ou então... a sua banda sonora. Quando descubro uma música que foi escrita de propósito para mim - evidentemente - vibro e agradeço aos céus a viagem.
É também um afago nos momentos mais solitários, mais solavancados.
Cadência precisa-se.
Algumas vezes me perguntaram qual o meu estilo de música preferido. Não sabia responder.
Hoje sei: não tenho. Eu respondo às músicas. Gosto ou não. Dizem-me alguma coisa ou não. Podem-me dizer tudo hoje e amanhã já nada me acrescentarem. Podem-me nada acrescentar hoje e amanhã tudo me dizerem. A cada estado de espírito ou físico, o meu ser escolhe a banda sonora para o momento.
E eis chegada a parte em que os meus aventureiros levam com a expectável lista de músicas escolhidas. Acrescento-lhe uma pitadinha cinematográfica porque todos os meus poros respiram cinema. Vejo-me como um filme cujas músicas ajudam a adensar a trama e, igualmente, a desvendá-la.
♪ Para os momentos em que celebro a amizade
♪ Para os momentos em que me sinto confiante, segura e poderosa
♪ Para os meus momentos de romantismo exacerbado em que quero acreditar que toda a ficção tem um motor real (para minha perdição).
Acrescento-lhe, na minha opinião, o melhor happy ending de um filme romântico.
♪ Para os momentos em que preciso de acreditar que as mais improváveis histórias de Amor são possíveis.
"The Piano" - a mais bela das histórias de amor.
♪ Para os únicos momentos em que a posse é desejável, desejada e bela.
♪ Para os momentos do mês em que a líbido está mais acesa e não aproveitada, em que cada nervo é uma espécie de nota musical. Chamo-lhes os meus momentos burlescos.
♪ Para os momentos em que preciso ir buscar a garra de bailarina arrojada e destemida
♪ Para os momentos de pura energia
♪ Quando sonho acordada
♪ Para me relembrar que o mundo ainda consegue ser maravilhoso
♪ Para celebrar a humanidade unida e fraterna
♪ Quando o sentimento patriótico aperta
♪ Para os momentos saudosos do pai
♪ Para os momentos em que gostava de ser musa inspiradora de arte
♪ Intimidade
To be continued...
♪ E o genérico final
To be continued...
sábado, 16 de novembro de 2013
Pedacinhos de literatura - "As velas ardem até ao fim", Sándor Márai
"A bailarina levava um chapéu de Florença de abas largas, meias-luvas brancas de croché, calçadas até aos cotovelos, um vestido de seda, cor-de-rosa, apertado na cintura, e sapatos de seda pretos. Apesar da sua falta de gosto, estava perfeita. Andava com passos incertos entre a folhagem, no caminho de cascalho, como se todos os passos terrestres que a conduziam aos objectos reais da vida, como por exemplo a um restaurante, fossem indignos dos seus pés. Tal como não é apropriado arranhar canções ligeiras nas cordas dum violino Stradivarius, assim guardava ela os pés, essas obras-primas, cujo único objectivo e significado só podia ser a dança, a dissolução das leis da gravidade, o rompimento das limitações deploráveis do corpo."
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Dores
Estava a pensar que uma pessoa não deve ficar minimamente satisfeita com os desaires dos outros. Paga-se por isso.
É possível ficar contente com a tristeza alheia? É.
Não me orgulho nada, contudo.
É um contentamento triste, infeliz.
E pensava que nestas coisas a vida não hesitava em dar-me lições e apontar-me aquele dedo acusatório "guilty, guilty, so guilty" e que a reprimenda viria logo que pudesse.
Veio mais cedo do que esperava...
I´m guilty because I love...
É possível ficar contente com a tristeza alheia? É.
Não me orgulho nada, contudo.
É um contentamento triste, infeliz.
E pensava que nestas coisas a vida não hesitava em dar-me lições e apontar-me aquele dedo acusatório "guilty, guilty, so guilty" e que a reprimenda viria logo que pudesse.
Veio mais cedo do que esperava...
I´m guilty because I love...
Estrelas precisam-se em terra
Quando vejo um casal que se ama ser separado pela morte há uma espécie de fosso meu que se alarga um pouco mais.
A 1ª reacção é culpar a Vida, Universo, Destino, Deus..., o que seja que me possa libertar desta limitação de nada poder fazer contra o irremediável.
Depois penso na imensa perda ao haver ainda menos Amor em vida.
Quero lá saber se nasceu mais uma estrela no céu... que o tornou mais cintilante...que vela por nós...
O céu tem muitas estrelas, a minha quero-a comigo.
Devia ser proibido casais que se amam morrerem. Seria inconstitucional em qualquer tribunal.
Ficariam para semente, sim... Porque o que há mais falta é exemplos de Amor.
Exemplos para os distraídos, para os imaturos, para os desiludidos, para os insensíveis, para os desistentes...
Não há como evitar o borboletear feliz e espontâneo perante a possibilidade de amar.
Então porque se evita, porque se foge, porque se faz sofrer?
Não somos muito mais felizes quando temos alguém a quem sorrir, dar um carinho, desejar um bom dia?
Não somos muito mais felizes quando temos alguém que nos faça sorrir, que nos dá um carinho, que nos deseja um bom dia?
E perante a morte dos que se amam, ao vazio da perda junta-se uma espécie de alívio por não ter sido connosco. Há o impulso de correr para o outro e dizer-lhe "não me deixes, ouviste?"
Mas pouco dura... Porque se há coisa em que preguiçamos é a Amar.
A 1ª reacção é culpar a Vida, Universo, Destino, Deus..., o que seja que me possa libertar desta limitação de nada poder fazer contra o irremediável.
Depois penso na imensa perda ao haver ainda menos Amor em vida.
Quero lá saber se nasceu mais uma estrela no céu... que o tornou mais cintilante...que vela por nós...
O céu tem muitas estrelas, a minha quero-a comigo.
Devia ser proibido casais que se amam morrerem. Seria inconstitucional em qualquer tribunal.
Ficariam para semente, sim... Porque o que há mais falta é exemplos de Amor.
Exemplos para os distraídos, para os imaturos, para os desiludidos, para os insensíveis, para os desistentes...
Não há como evitar o borboletear feliz e espontâneo perante a possibilidade de amar.
Então porque se evita, porque se foge, porque se faz sofrer?
Não somos muito mais felizes quando temos alguém a quem sorrir, dar um carinho, desejar um bom dia?
Não somos muito mais felizes quando temos alguém que nos faça sorrir, que nos dá um carinho, que nos deseja um bom dia?
E perante a morte dos que se amam, ao vazio da perda junta-se uma espécie de alívio por não ter sido connosco. Há o impulso de correr para o outro e dizer-lhe "não me deixes, ouviste?"
Mas pouco dura... Porque se há coisa em que preguiçamos é a Amar.
Foto de Gmb Akash
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