A escrita do meu blogue não tem muito que se lhe diga. Mas reconheço-lhe similitudes com a minha maneira de estar e ser.
Basicamente rege-se por inspiração impulsiva, isto é, o assunto surge de onde menos espero: uma ida ao supermercado, a conduzir, uma música que ouça no momento, algo que me disseram ou que (ou)vi.
Este blogue não tem publicações regulares e é política da casa.
As "aventuras" só veem a luz do dia se eu sentir que devem ser escritas.
Ainda há outra particularidade: não a escrevo de imediato. Dou tempo para saber se realmente a quero escrever. Há portanto aqui uma espécie de luta / contradição "escreve, não escreve".
Posso apontar ideias, expressões, palavras para não perder a essência do que pretendo escrever, mas é a maturação sobre o tema que decide tudo. O chamado "feelling".
Se tenho uma ideia e não tenho como apontar, penso "se for mesmo para ser escrita lembrar-te-ás logo, se não te lembrares é porque não era para ser escrita".
E preciso de silêncio absoluto.
Uma vez li que a escritora Dulce Cardoso escreve um livro inteiro. Quando acaba, apaga tudo, e recomeça. E é essa versão que fica. Achei piada e imensamente corajoso.
Uma pessoa rege-se por ideias sui generis... Nem vale a pena dissecar os porquês.
E a ideia para esta aventura escrita surgiu agora mesmo, por estar a embrulhar um presente em que vou escrever uma dedicatória. Já tinha tido oportunidade para a escrever e nada me saía. Houve tempo, mas não houve inspiração nem propriamente vontade naquele momento. "Fica para mais tarde, algo de melhor te surgirá".
E assim foi, hoje sei perfeitamente que a dedicatória que teria escrito naquele dia nada teria a ver com a dedicatória de hoje. Porque a amizade ganhou outro relevo nestes dias intermédios.
São as palavras de hoje, as mais acertadas.
O que dizemos, o que não dizemos, o que deixamos para dizer mais tarde.
O que fazemos, o que não fazemos, o que deixamos para fazer mais tarde.
E anda por aqui o equilíbrio de uma vida.
E anda por aqui o imprevisível de uma vida.
E anda por aqui aquele palpite "é este o momento certo."
E deseja-se mesmo que seja o momento certo.
E acredito que a maioria das vezes o será.
A vida pode ser estranha, mas também muito esperta.
Tem os seus caminhos e tem... as suas razões.
domingo, 26 de janeiro de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Alavancas
Há coisas que vão surgindo na nossa vida e que provam que a engrenagem da mesma continua em funcionamento. Pode não ser como desejamos, parada ou mais lenta numas coisas, descontrolada noutras, mas o que é certo é que também vai funcionando bem.
A prova disso são as "pequenas" alavancas que a fazem mexer. E escrevo pequenas porque muitas vezes nem damos por elas. São gestos, momentos, brincadeiras, conversas, perguntas que surgem muito naturalmente e que assim como aparecem poderiam desaparecer. Mas vão ficando, vão-se instalando. Tornam-se rotinas. E quando olhamos para trás, sorrimos. Foi ali. Foi ali que tudo se desencadeou para melhor. Sabe bem recordar-lhe o início. Sabe ainda melhor saber que perdura.
É uma espécie de amparo num mundo que tantas vezes parece que não foi talhado para nós.
* São os jantares às 6ª feiras em casa de uma amiga. É o fecho delicioso de uma semana de trabalho.
Sim, delicioso porque se come e bebe bem, mas porque essa noite também é temperada com risos, confidências, resmunguices, provocações, crianças. Amizade...
* São as provas de licores todas as 5ª feiras depois da aula de dança. Já se provou de caramelo, de mirtilo, da Polónia, e por aí adiante. E tudo começou com um vinho do Porto antes dos espectáculos para acalmar ansiedades mil :)
* É uma confidência bem disposta num jantar que já me valeu a alcunha de "djizanove" :)
* É a força de uma amiga que te diz "devias criar um blogue e escrever ". Et voilá!
* É perguntar uma informação sobre dança e descobrir-se uma pessoa fantástica. E melhor, transformar-se em amizade.
* É uma tarde de trabalho que ajudou a montar um espectáculo, e melhor, que contribuiu para o nascimento de outra bela amizade.
* É um blogue que se descobre do nada e cujo belo jogo de palavras levou a uma troca de ideias e outras palavras e depois outras e outras e às mágicas "Quando vens a Lisboa?" -> Amizade!!
* É ler um post que se gosta numa faceamiga, que conduz ao conhecimento de outra pessoa. E daí nascerem cumplicidades.
* São os almoços diários com as mesmas amigas em que desabafamos, maldizemos da vida, rimo-nos que nem umas perdidas, em que falamos de filhos, pais, avós, colegas de trabalho e... sailor moons :) :) Sentimentos vão-se solidificando...
E por aí fora...
E ainda que o imprevisível seja o motor de tanta coisa, o passo mais além, a zona de desconforto onde a magia está, é nas rotinas que a nossa vida assenta, que nos encontramos de alguma forma e das quais tiramos o significado do que andamos por cá a fazer.
Sim, acredito que a rotina pode ser muito bela... e também uma poderosa e imprevisível alavanca.
A prova disso são as "pequenas" alavancas que a fazem mexer. E escrevo pequenas porque muitas vezes nem damos por elas. São gestos, momentos, brincadeiras, conversas, perguntas que surgem muito naturalmente e que assim como aparecem poderiam desaparecer. Mas vão ficando, vão-se instalando. Tornam-se rotinas. E quando olhamos para trás, sorrimos. Foi ali. Foi ali que tudo se desencadeou para melhor. Sabe bem recordar-lhe o início. Sabe ainda melhor saber que perdura.
É uma espécie de amparo num mundo que tantas vezes parece que não foi talhado para nós.
* São os jantares às 6ª feiras em casa de uma amiga. É o fecho delicioso de uma semana de trabalho.
Sim, delicioso porque se come e bebe bem, mas porque essa noite também é temperada com risos, confidências, resmunguices, provocações, crianças. Amizade...
* São as provas de licores todas as 5ª feiras depois da aula de dança. Já se provou de caramelo, de mirtilo, da Polónia, e por aí adiante. E tudo começou com um vinho do Porto antes dos espectáculos para acalmar ansiedades mil :)
* É uma confidência bem disposta num jantar que já me valeu a alcunha de "djizanove" :)
* É a força de uma amiga que te diz "devias criar um blogue e escrever ". Et voilá!
* É perguntar uma informação sobre dança e descobrir-se uma pessoa fantástica. E melhor, transformar-se em amizade.
* É uma tarde de trabalho que ajudou a montar um espectáculo, e melhor, que contribuiu para o nascimento de outra bela amizade.
* É um blogue que se descobre do nada e cujo belo jogo de palavras levou a uma troca de ideias e outras palavras e depois outras e outras e às mágicas "Quando vens a Lisboa?" -> Amizade!!
* É ler um post que se gosta numa faceamiga, que conduz ao conhecimento de outra pessoa. E daí nascerem cumplicidades.
* São os almoços diários com as mesmas amigas em que desabafamos, maldizemos da vida, rimo-nos que nem umas perdidas, em que falamos de filhos, pais, avós, colegas de trabalho e... sailor moons :) :) Sentimentos vão-se solidificando...
E por aí fora...
E ainda que o imprevisível seja o motor de tanta coisa, o passo mais além, a zona de desconforto onde a magia está, é nas rotinas que a nossa vida assenta, que nos encontramos de alguma forma e das quais tiramos o significado do que andamos por cá a fazer.
Sim, acredito que a rotina pode ser muito bela... e também uma poderosa e imprevisível alavanca.
sábado, 11 de janeiro de 2014
Belezas
Este vídeo é daquelas coisas que nos dão um valente soco no estômago e que, depois, nos apelam a ser melhores seres humanos.
Gostava que dispusessem de 13 minutos do vosso tempo para ver o testemunho desta jovem.
É de uma simplicidade tocante e de uma força brutal.
Como conseguimos usar a nossa liberdade de expressão de forma tão cruel?
Que prazer podre nos dá maltratar alguém simplesmente por causa da sua aparência?
Que sentimento torcido é este de satisfação pessoal?
Perderemos nós mais tempo a maldizer ou a bendizer?
Se é o primeiro, não serão recursos e tempo nossos perdidos?
A crítica construtiva é fundamental. Mas é esta que nos guia?
Ou a crítica destrutiva vai-nos minando?
Não é melhor acarinhar, cuidar, apoiar, ajudar? Não nos fará mais felizes?
Contribuímos para um mundo melhor?
Gostava que dispusessem de 13 minutos do vosso tempo para ver o testemunho desta jovem.
É de uma simplicidade tocante e de uma força brutal.
Como conseguimos usar a nossa liberdade de expressão de forma tão cruel?
Que prazer podre nos dá maltratar alguém simplesmente por causa da sua aparência?
Que sentimento torcido é este de satisfação pessoal?
Perderemos nós mais tempo a maldizer ou a bendizer?
Se é o primeiro, não serão recursos e tempo nossos perdidos?
A crítica construtiva é fundamental. Mas é esta que nos guia?
Ou a crítica destrutiva vai-nos minando?
Não é melhor acarinhar, cuidar, apoiar, ajudar? Não nos fará mais felizes?
Contribuímos para um mundo melhor?
"What defines you as a person?"
*
"I use their negativity to light my fire to keep going"
*
"Please just do the world a favour, put a gun to your head and kill yourself. Think about that... if people, strangers told you this"
domingo, 5 de janeiro de 2014
O poder do sorriso e da boa educação...
... e pouco mais acrescento do que achar que um dos melhores feitos de uma pessoa em vida - e barómetro da sua excelência - é quando pela sua postura se torna respeitado e admirado unanimemente, até mesmo pelos seus adversários.
Até sempre
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
As visitantes indesejadas...
... de seu nome nostalgia e melancolia.
Pontuam aqueles momentos melancólicos (até lhes chamo parvos) que nos agarram nostalgicamente ao ano passado.
Parvos porque não deixa de ser somente um dia a seguir ao outro...
But mooving on... a great year ahead... I hope... I wish...
To reinforce it...
Pontuam aqueles momentos melancólicos (até lhes chamo parvos) que nos agarram nostalgicamente ao ano passado.
Parvos porque não deixa de ser somente um dia a seguir ao outro...
But mooving on... a great year ahead... I hope... I wish...
To reinforce it...
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Um mundo de pequenas coisas boas
A 17 de Agosto de 2013 começou esta aventura.
Alguma referência tinha de lhe fazer porque foi um projecto de amor-próprio.
Não foi uma passa no reveillon 2012, não era um objectivo para 2013.
Mas surgiu a ideia, quase do nada, incentivada por alguns amigos.
Estou feliz com este cantinho de escrita, muito meu e outro tanto vosso.
Obrigada por me lerem. Por lhe darem vida.
Há já alguns anos que não faço lista de desejos para o Ano Novo. Por desânimo, por descrédito, por falta de vontade e, por fim, para ver o que o ano novo me reservava. Se pedindo não me era dado, então deixa experimentar não pedir...
Acima de tudo o réveillon era mais uma ocasião para estar com pessoas que gostava. Parece que a vontade esperançosa num mundo melhor saía mais reforçada... e regada :).
Muita coisa boa nos acontece sem a planearmos e esperarmos. E se há objectivos que não se cumprem, outros nascerão no lugar dos ausentes. Quem sabe até melhores.
Amanhã, último dia do ano, vou até ao mar, num cantinho entre ondas e areal, ler os meus momentos felizes que fui colocando num frasco para mais tarde recordar. Sei que vou sorrir tanto...
Será a minha reflexão de esperança para 2014. Se houve momentos maus também os houve bons e são esses que quero recordar num ano de expectativas furadas.
Somos muito mais felizes do que imaginamos e sentimos.
Acho que é esta a minha grande conclusão/lição em 2013. Basta estar atento. Ser dado. E acarinhar.
Fiz novas amizades, reforcei outras, dancei, ninguém me morreu, estou de saúde e tenho trabalho. Gostam de mim. Nos intervalos disto tudo, um mundo de pequenas coisas boas me aconteceu. Só posso ser uma grande felizarda.
A vocês, desejo-vos Amor. Com Amor tudo (melhor) se suporta. Acho.
Não nos iludamos, a tristeza é parceira da alegria. 1 de Janeiro é a seguir a 31 de Dezembro e antes de 2 de Janeiro. A mudança não se dá em datas, mas em instantes. Que os vossos sejam muito felizes e que se apercebam deles.
Façam alguém feliz.
Amem e sorriam. Muito. Para alguém. Com alguém. Por causa de alguém. Por tudo. E por nada.
Eu vou tentando :)
Alguma referência tinha de lhe fazer porque foi um projecto de amor-próprio.
Não foi uma passa no reveillon 2012, não era um objectivo para 2013.
Mas surgiu a ideia, quase do nada, incentivada por alguns amigos.
Estou feliz com este cantinho de escrita, muito meu e outro tanto vosso.
Obrigada por me lerem. Por lhe darem vida.
Há já alguns anos que não faço lista de desejos para o Ano Novo. Por desânimo, por descrédito, por falta de vontade e, por fim, para ver o que o ano novo me reservava. Se pedindo não me era dado, então deixa experimentar não pedir...
Acima de tudo o réveillon era mais uma ocasião para estar com pessoas que gostava. Parece que a vontade esperançosa num mundo melhor saía mais reforçada... e regada :).
Muita coisa boa nos acontece sem a planearmos e esperarmos. E se há objectivos que não se cumprem, outros nascerão no lugar dos ausentes. Quem sabe até melhores.
Amanhã, último dia do ano, vou até ao mar, num cantinho entre ondas e areal, ler os meus momentos felizes que fui colocando num frasco para mais tarde recordar. Sei que vou sorrir tanto...
Será a minha reflexão de esperança para 2014. Se houve momentos maus também os houve bons e são esses que quero recordar num ano de expectativas furadas.
Somos muito mais felizes do que imaginamos e sentimos.
Acho que é esta a minha grande conclusão/lição em 2013. Basta estar atento. Ser dado. E acarinhar.
Fiz novas amizades, reforcei outras, dancei, ninguém me morreu, estou de saúde e tenho trabalho. Gostam de mim. Nos intervalos disto tudo, um mundo de pequenas coisas boas me aconteceu. Só posso ser uma grande felizarda.
A vocês, desejo-vos Amor. Com Amor tudo (melhor) se suporta. Acho.
Não nos iludamos, a tristeza é parceira da alegria. 1 de Janeiro é a seguir a 31 de Dezembro e antes de 2 de Janeiro. A mudança não se dá em datas, mas em instantes. Que os vossos sejam muito felizes e que se apercebam deles.
Façam alguém feliz.
Amem e sorriam. Muito. Para alguém. Com alguém. Por causa de alguém. Por tudo. E por nada.
Eu vou tentando :)
sábado, 28 de dezembro de 2013
Somos nada.
Somos nada.
Somos muito, muitas vezes tudo para alguém. No entanto, somos nada.
Num instante, naquele segundo, a vida vai-se. E não sabemos as razões do arbítrio da vida. Ou será da morte?
Decidimos alguma coisa? Não decidimos rigorosamente nada?
Somos nada.
Não entendo a razão das mortes que parecem fora de contexto.
Quem prefere abdicar da vida tem as suas razões, serão sempre corajosos para mim.
Mas e os que ainda amam a vida? Porque morrem inexplicavelmente?
Que significado para o universo (?) tiveram as pessoas que morreram de repente, sem razão aparente? Que foram assassinadas? Que sofreram acidentes mortais? Que morreram em situações completamente estúpidas? Que morreram de fome? Que morreram por falta de cuidados de saúde? Que morreram por negligência médica? Que morreram por uma doença vinda do nada e que não queriam?
Para que nascem se vão ter uma morte sem aparente significado? Como se a vida deles não fosse suficientemente válida para ficar cá mais uns anos...
Porque morrem os bons? E porque vivem tanto tempo pessoas completamente dispensáveis?
Ceifam-se vidas que sorriem para a Vida e que fazem tanta falta por cá.
Não quero mais estrelas no céu, já bastam as que lhe pertencem naturalmente.
Quero as estrelas na terra, as que nos dão ânimo para acreditar num mundo melhor, as que nos dão alento para vencer batalhas sem fim numa guerra que desde o nascimento está perdida.
Somos nada.
E talvez seja por isso mesmo que devamos fazer algo bom e válido por nós e pelos outros enquanto por cá andamos.
Somos muito, muitas vezes tudo para alguém. No entanto, somos nada.
Num instante, naquele segundo, a vida vai-se. E não sabemos as razões do arbítrio da vida. Ou será da morte?
Decidimos alguma coisa? Não decidimos rigorosamente nada?
Somos nada.
Não entendo a razão das mortes que parecem fora de contexto.
Quem prefere abdicar da vida tem as suas razões, serão sempre corajosos para mim.
Mas e os que ainda amam a vida? Porque morrem inexplicavelmente?
Que significado para o universo (?) tiveram as pessoas que morreram de repente, sem razão aparente? Que foram assassinadas? Que sofreram acidentes mortais? Que morreram em situações completamente estúpidas? Que morreram de fome? Que morreram por falta de cuidados de saúde? Que morreram por negligência médica? Que morreram por uma doença vinda do nada e que não queriam?
Para que nascem se vão ter uma morte sem aparente significado? Como se a vida deles não fosse suficientemente válida para ficar cá mais uns anos...
Porque morrem os bons? E porque vivem tanto tempo pessoas completamente dispensáveis?
Ceifam-se vidas que sorriem para a Vida e que fazem tanta falta por cá.
Não quero mais estrelas no céu, já bastam as que lhe pertencem naturalmente.
Quero as estrelas na terra, as que nos dão ânimo para acreditar num mundo melhor, as que nos dão alento para vencer batalhas sem fim numa guerra que desde o nascimento está perdida.
Somos nada.
E talvez seja por isso mesmo que devamos fazer algo bom e válido por nós e pelos outros enquanto por cá andamos.
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