sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Quereres mudos

Hoje vi um homem chorar.
Vi muito poucos homens chorarem na minha presença. Os últimos choravam a morte do pai.
Evidentemente que os homens também choram, mas causa alguma estranheza porque costumam ser mais contidos, reservados.
E este homem chorava num local público. Embora o tentasse esconder, não o conseguiu evitar.
À sua frente, outro homem. Mais velho. Impotente. É preciso o fardo ser bem pesado para um homem chorar assim.
Desejei confortá-lo e dizer-lhe que as coisas iriam melhorar um dia.
Mas com certeza o meu gesto seria visto como incómodo.
E irão mesmo melhorar?
Por isso ficou o desejar-lhe bem...mudo. Esperando que de algum modo isso ajude a consertar alguma coisa.
Como o (nosso) mundo seria tão melhor se se curasse com os nossos quereres mudos...
Quantas vezes estamos perante alguém, desejamos-lhe tanto bem e não sabemos como expressá-lo...
É tal o nosso tumulto interior que as palavras não se coordenam e ficamos pelo sentido.
E se palavra e gesto juntos são tão importantes, por vezes, simplesmente o gesto vale mais que um discurso elaborado e reconfortante, porque naquela altura mais dolorosa nada conforta. O desespero agradece a simples presença de alguém, ainda que mudo, mas por perto.
E tudo isto me transporta para muito mais, para aquilo que fica por dizer, desnecessariamente.
Tornámo-nos especialistas em implosões.

This is the land of thousand words but it seems so few are worth the breath to say ♫

 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Timings

A escrita do meu blogue não tem muito que se lhe diga. Mas reconheço-lhe similitudes com a minha maneira de estar e ser.
Basicamente rege-se por inspiração impulsiva, isto é, o assunto surge de onde menos espero: uma ida ao supermercado, a conduzir, uma música que ouça no momento, algo que me disseram ou que (ou)vi.
Este blogue não tem publicações regulares e é política da casa.
As "aventuras" só veem a luz do dia se eu sentir que devem ser escritas.
Ainda há outra particularidade: não a escrevo de imediato. Dou tempo para saber se realmente a quero escrever. Há portanto aqui uma espécie de luta / contradição "escreve, não escreve".
Posso apontar ideias, expressões, palavras para não perder a essência do que pretendo escrever, mas é a maturação sobre o tema que decide tudo. O chamado "feelling".
Se tenho uma ideia e não tenho como apontar, penso "se for mesmo para ser escrita lembrar-te-ás logo, se não te lembrares é porque não era para ser escrita".
E preciso de silêncio absoluto.
Uma vez li que a escritora Dulce Cardoso escreve um livro inteiro. Quando acaba, apaga tudo, e recomeça. E é essa versão que fica. Achei piada e imensamente corajoso.
Uma pessoa rege-se por ideias sui generis... Nem vale a pena dissecar os porquês.

E a ideia para esta aventura escrita surgiu agora mesmo, por estar a embrulhar um presente em que vou escrever uma dedicatória. Já tinha tido oportunidade para a escrever e nada me saía. Houve tempo, mas não houve inspiração nem propriamente vontade naquele momento. "Fica para mais tarde, algo de melhor te surgirá".
E assim foi, hoje sei perfeitamente que a dedicatória que teria escrito naquele dia nada teria a ver com a dedicatória de hoje. Porque a amizade ganhou outro relevo nestes dias intermédios.
São as palavras de hoje, as mais acertadas.

O que dizemos, o que não dizemos, o que deixamos para dizer mais tarde.
O que fazemos, o que não fazemos, o que deixamos para fazer mais tarde.
E anda por aqui o equilíbrio de uma vida.
E anda por aqui o imprevisível de uma vida.
E anda por aqui aquele palpite "é este o momento certo."
E deseja-se mesmo que seja o momento certo.
E acredito que a maioria das vezes o será.

A vida pode ser estranha, mas também muito esperta.
Tem os seus caminhos e tem... as suas razões.



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Alavancas

Há coisas que vão surgindo na nossa vida e que provam que a engrenagem da mesma continua em funcionamento. Pode não ser como desejamos, parada ou mais lenta numas coisas, descontrolada noutras, mas o que é certo é que também vai funcionando bem.
A prova disso são as "pequenas" alavancas que a fazem mexer. E escrevo pequenas porque muitas vezes nem damos por elas. São gestos, momentos, brincadeiras, conversas, perguntas que surgem muito naturalmente e que assim como aparecem poderiam desaparecer. Mas vão ficando, vão-se instalando. Tornam-se rotinas. E quando olhamos para trás, sorrimos. Foi ali. Foi ali que tudo se desencadeou para melhor. Sabe bem recordar-lhe o início. Sabe ainda melhor saber que perdura.
É uma espécie de amparo num mundo que tantas vezes parece que não foi talhado para nós.

* São os jantares às 6ª feiras em casa de uma amiga. É o fecho delicioso de uma semana de trabalho.
Sim, delicioso porque se come e bebe bem, mas porque essa noite também é temperada com risos, confidências, resmunguices, provocações, crianças. Amizade...

* São as provas de licores todas as 5ª feiras depois da aula de dança. Já se provou de caramelo, de mirtilo, da Polónia, e por aí adiante. E tudo começou com um vinho do Porto antes dos espectáculos para acalmar ansiedades mil :)

* É uma confidência bem disposta num jantar que já me valeu a alcunha de "djizanove" :)

* É a força de uma amiga que te diz "devias criar um blogue e escrever ". Et voilá!

* É perguntar uma informação sobre dança e descobrir-se uma pessoa fantástica. E melhor, transformar-se em amizade.

* É uma tarde de trabalho que ajudou a montar um espectáculo, e melhor, que contribuiu para o nascimento de outra bela amizade.

* É um blogue que se descobre do nada e cujo belo jogo de palavras levou a uma troca de ideias e outras palavras e depois outras e outras e às mágicas "Quando vens a Lisboa?" -> Amizade!!

* É ler um post que se gosta numa faceamiga, que conduz ao conhecimento de outra pessoa. E daí nascerem cumplicidades.


* São os almoços diários com as mesmas amigas em que desabafamos, maldizemos da vida, rimo-nos que nem umas perdidas, em que falamos de filhos, pais, avós, colegas de trabalho e... sailor moons :) :) Sentimentos vão-se solidificando...

E por aí fora...

E ainda que o imprevisível seja o motor de tanta coisa, o passo mais além, a zona de desconforto onde a magia está, é nas rotinas que a nossa vida assenta, que nos encontramos de alguma forma e das quais tiramos o significado do que andamos por cá a fazer.
Sim, acredito que a rotina pode ser muito bela... e também uma poderosa e imprevisível alavanca.





sábado, 11 de janeiro de 2014

Belezas

Este vídeo é daquelas coisas que nos dão um valente soco no estômago e que, depois, nos apelam a ser melhores seres humanos.
Gostava que dispusessem de 13 minutos do vosso tempo para ver o testemunho desta jovem.
É de uma simplicidade tocante e de uma força brutal.
Como conseguimos usar a nossa liberdade de expressão de forma tão cruel?
Que prazer podre nos dá maltratar alguém simplesmente por causa da sua aparência?
Que sentimento torcido é este de satisfação pessoal?
Perderemos nós mais tempo a maldizer ou a bendizer?
Se é o primeiro, não serão recursos e tempo nossos perdidos?
A crítica construtiva é fundamental. Mas é esta que nos guia?
Ou a crítica destrutiva vai-nos minando?
Não é melhor acarinhar, cuidar, apoiar, ajudar? Não nos fará mais felizes?
Contribuímos para um mundo melhor?

"What defines you as a person?"
*
"I use their negativity to light my fire to keep going"
*
"Please just do the world a favour, put a gun to your head and kill yourself. Think about that... if people, strangers told you this"

 



domingo, 5 de janeiro de 2014

O poder do sorriso e da boa educação...

... e pouco mais acrescento do que achar que um dos melhores feitos de uma pessoa em vida - e barómetro da sua excelência - é quando pela sua postura se torna respeitado e admirado unanimemente, até mesmo pelos seus adversários.

 
Até sempre

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

As visitantes indesejadas...

... de seu nome nostalgia e melancolia.

Pontuam aqueles momentos melancólicos (até lhes chamo parvos) que nos agarram nostalgicamente ao ano passado.
Parvos porque não deixa de ser somente um dia a seguir ao outro...

But mooving on... a great year ahead... I hope... I wish...

To reinforce it...
 

 
 

 
 

 

 



 
 



 




segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Um mundo de pequenas coisas boas

A 17 de Agosto de 2013 começou esta aventura.
Alguma referência tinha de lhe fazer porque foi um projecto de amor-próprio.
Não foi uma passa no reveillon 2012, não era um objectivo para 2013.
Mas surgiu a ideia, quase do nada, incentivada por alguns amigos.
Estou feliz com este cantinho de escrita, muito meu e outro tanto vosso.
Obrigada por me lerem. Por lhe darem vida.

Há já alguns anos que não faço lista de desejos para o Ano Novo. Por desânimo, por descrédito, por falta de vontade e, por fim, para ver o que o ano novo me reservava. Se pedindo não me era dado, então deixa experimentar não pedir...
Acima de tudo o réveillon era mais uma ocasião para estar com pessoas que gostava. Parece que a vontade esperançosa num mundo melhor saía mais reforçada... e regada :).
Muita coisa boa nos acontece sem a planearmos e esperarmos. E se há objectivos que não se cumprem, outros nascerão no lugar dos ausentes. Quem sabe até melhores.
Amanhã, último dia do ano, vou até ao mar, num cantinho entre ondas e areal, ler os meus momentos felizes que fui colocando num frasco para mais tarde recordar. Sei que vou sorrir tanto...
Será a minha reflexão de esperança para 2014. Se houve momentos maus também os houve bons e são esses que quero recordar num ano de expectativas furadas.
Somos muito mais felizes do que imaginamos e sentimos.
Acho que é esta a minha grande conclusão/lição em 2013. Basta estar atento. Ser dado. E acarinhar.
Fiz novas amizades, reforcei outras, dancei, ninguém me morreu, estou de saúde e tenho trabalho. Gostam de mim. Nos intervalos disto tudo, um mundo de pequenas coisas boas me aconteceu. Só posso ser uma grande felizarda.
A vocês, desejo-vos Amor. Com Amor tudo (melhor) se suporta. Acho.
Não nos iludamos, a tristeza é parceira da alegria. 1 de Janeiro é a seguir a 31 de Dezembro e antes de 2 de Janeiro. A mudança não se dá em datas, mas em instantes. Que os vossos sejam muito felizes e que se apercebam deles.
Façam alguém feliz.
Amem e sorriam. Muito. Para alguém. Com alguém. Por causa de alguém. Por tudo. E por nada.


                                                       Eu vou tentando :)