terça-feira, 18 de novembro de 2014

Rotinas que nos guiam


Há rotinas que criamos e que depois nos guiam já sem pensarmos.

Quando damos conta já as fizemos, como se tivesse havido um lapso de tempo em que fomos teletransportados.

Assim é quando na minha hora de almoço me encontro na livraria do sítio.

Só preciso de ficar ali, a olhar os livros que vi ontem e anteontem e antes disso.

E quando volto ao trabalho… regresso calma.







domingo, 16 de novembro de 2014

Simplificar as coisas pode ser coisa complicada

Porque a mente pode ser clarividente, mas o membro bombeador troca as voltas.

Como baixar as expectativas sobre os outros? Com os outros? Minimizar é difícil.
Expliquem-me como funciona o interruptor porque por muito que tente a desilusão está sempre ali à espreita, pronta a envenenar terreno pródigo em emoções.

Não sou uma pessoa desapegada. Quero sê-la?...

Como baixar o nível de exigência sobre mim mesma? Os desafios lançados deveriam ser vividos suavemente. Convicta de que é preciso vivê-los intensamente, mas como evitar a desilusão quando não alcançamos os nossos propósitos como gostaríamos? Como aceitar pacificamente o "menos" que não tem necessariamente de ser mau? Que só o é mesmo aos nossos olhos...

Como evitar que o bom e quente do apoio e palavras amigas seja suplantado por aquele apoio que esperávamos e não veio? Pela atenção que desejávamos e não se concretizou? Como evitar negligenciar todos os que estão para/por nós porque não conseguimos menorizar a mágoa que nos deixam os ausentes?

Como fazer as pazes com um familiar que decidiu ir embora?
Como aceitar isso sabendo que de alguma forma fomos responsáveis pela sua ida?
Como apaziguar a culpa?

Como equilibrar a balança dos sentimentos?
Como evitar a estranheza (e alguma culpa) de considerarmos família os nossos amigos e não sentirmos o mesmo apego pelos do nosso sangue?

Como graduar a escala da dedicação?

Simplesmente, não é?...








quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Faz um ano que...

... com a minha assertiva franqueza encerrei capítulos.
Foi um final de ano libertador, feliz aqui e acolá.
Desafios superados contribuíram para alguma paz de espírito e uma maior crença em mim como pessoa capaz.
Um ano depois olho para trás e vejo que o que perdi tornou-se num futuro ganho.
Um ano depois é interessante ver o que mudou... e para melhor.
Um ano depois vejo só caminho(s) incerto(s), mas preferível ao que tinha.
Foi mesmo um efeito dominó: decisões tomadas despoletaram outras tantas.
Resta crer, acho que, em mim.



sábado, 25 de outubro de 2014

Idiossincrasias

O que nos faz ter um gesto de atenção, força e carinho por um desconhecido quando tantas vezes não nos predispomos a ter com os nossos?
É preciso fazerem-nos falta?...



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Esta estranha maneira de ser

que precisa
que repele
que deseja
que afasta
que sonha
que pergunta
que se cala
que ama
que se envergonha
que se emociona
que desconfia
que sofre
que imagina
que não luta
que se fecha
que deseja
que afasta
que ama
que se ilude
que precisa
que se emociona
que sofre
que deseja
que sonha
que afasta
que mal discute
que não luta
que repele
que não pergunta
que não se cala
que reage
que ama
que deseja
que sonha
que não pergunta
que se cala
que se fecha
que abraça
que sofre
que repele
que seja
que ama
que precisa
que se emociona
que mal pergunta
que se afasta
que não luta
que sonha
que ama
que deseja
que não luta


que perde



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Mulher-Força

Hoje mimosearam-me com o epíteto "Mulher-Força".
Surpreendida e bastante lisonjeada por vir de quem veio, fiquei a pensar...
Mas.. é mesmo assim que as pessoas me poderão ver?
E porque é que eu não me vejo assim?
Ou bem no fundo saberei que é assim, só sinto as forças quebradas?
A distância que vai do que somos ao que passamos (ou permitimos passar), do que somos ao que acham de nós, do que somos ao que achamos de nós próprios...



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Carla

É uma memória vívida como se tivesse acontecido ontem.
Recordo-me de estar a aguardar pela minha vez no hall e ela entrar toda despachada, cheia de segurança e garra e dirigir-se à pessoa responsável para saber quando faria as provas.
Soube instantaneamente que ela seria escolhida para o curso de teatro. Vi a aura de talento cravadíssima nela só pelo seu simples estar. Não se explica o que se (pres)sente.
Também soube ali que nos tornaríamos amigas. Há verdades escancaradas que nos são dadas de mão beijada, mas cujas explicações para elas não temos de imediato.
Soube claramente que estava a viver um "turning point" na minha vida.
Nos 3 meses que convivemos diariamente (nunca se voltaria a repetir tal assiduidade) admirava-lhe o talento, a inteligência com que o usava. Num registo mais pessoal, a sua frontalidade e a sua doçura revestida de carcaça. Sabia que era daquelas mulheres que nunca reuniria consenso. Ou se gostava ou não.
Ela teve a coragem de seguir carreira. Eu não.
Mundos diferentes, terras diferentes separaram-nos fisicamente por alguns anos.
Ainda na era do papel, correspondia-mo-nos esporadicamente por carta, nas datas chave. Estivemos anos sem nos ver.
Foi com o nascimento do 1º filho que o contacto se começou a tornar mais regular. Quando vi a bebé nos braços dela estabeleci um paralelismo lamechas. Não fazia sentido tanto tempo afastadas quando tudo se alcançava tão rapidamente. A partir dessa altura comecei a visitá-la mais regularmente. As peças de teatro dela tornaram-se um bom motivo para os reencontros. E a amizade fortaleceu desde então.
E continuei a admirá-la cada vez mais. A sua garra na profissão, a luta por trabalhar honestamente, o batalhar pela Arte e não se vergar à fama fácil, os seus valores familiares, a educação e atenção dada aos filhos, a maneira como enfrenta as dificuldades e as desilusões, a sua enorme força interior.
Não estava errada naquele primeiro dia.  Ali estava uma pessoa que me acompanharia para o resto da minha vida.
Passaram-se 22 anos desde aquele encontro no hall.